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Os grandes perigos da vida cristã

Por Leonardo Pereira


Referência: Colossenses 2.4-23

INTRODUÇÃO

1. O apóstolo Paulo nesse texto oferece-nos um retrato do verdadeiro crente e também alista quatro grandes perigos que a igreja enfrenta.
2. Vejamos em primeiro lugar, as marcas de um verdadeiro crente:

I. AS MARCAS DO VERDADEIRO CRENTE – v. 4-7

1. O genuíno crente é aquele que já recebeu a Cristo Jesus, o Senhor – v. 6
• A vida cristã começa quando recebemos a Cristo como Senhor de nossas vidas. Deixamos o pecado, o mundo, o eu e rendemo-nos ao Senhorio de Cristo. Ele passa a ser o centro e o dono de nossas vidas.

2. O genuíno crente é aquele que segue os passos de Jesus – v. 6
• O verbo “andai” significa “andai continuamente nele”. Um falso cristão pode enganar por algum tempo. Demas abandonou a fé. Judas traiu o Mestre. Ananias e Safira mentiram ao Espírito Santo. O crente verdadeiro é aquele que anda em novidade de vida, anda no Espírito, anda como Cristo andou (1:10).

3. O genuíno crente é aquele que está arraigado e edificado em Cristo – v. 7
• RADICADOS – Radicados é uma palavra da agricultura. O crente é como uma árvore e não como a palha que o vento dispersa. O crente não é como uma semente que os ventos de doutrina dispersa. As raízes são a fonte da vitalidade e da estabilidade da árvore.
• EDIFICADOS – Edificados é uma palavra da arquitetura. Está no presente contínuo. Quando nós cremos em Cristo lançamos o fundamento. Depois precisamos crescer em graça.
• CONFIRMADOS E INSTRUÍDOS – A palavra “instruído” sugere que a vida cristã é uma escola. É a Palavra de Deus que edifica e fortalece o cristão.
• CRESCENDO EM AÇÕES DE GRAÇAS – A palavra “crescendo” traz a idéia de um RIO. Quando cremos em Cristo uma fonte é aberta em nós (Jo 4:10-14). Depois isso transforma-se em um rio (Jo 7:37-39).

II. OS PERIGOS QUE O VERDADEIRO CRENTE ENFRENTA – v. 8-23

1. O PERIGO DAS FALSAS FILOSOFIAS – v. 8-15
• Paulo alerta os crentes para os perigos das falsas filosofias, mormente o Gnosticismo. Os falsos mestres procuram os crentes em vez de ir buscar as pessoas no mundo. Crentes imaturos e analfabetos da Palavra são presas fáceis. A palavra “enredar é sequestrar”.
• Basicamente os falsos mestres estavam ensinando: 1) uma filosofia adicional ao Cristianismo; 2) um sistema de astrologia (stoiqueia = rudimentos do mundo = os espíritos elementares do mundo, especialmente os astros e planetas); 3) impondo a circuncisão aos cristãos; 4) estabelecendo regras e prescrições ascéticas; 5) queriam induzir o culto aos anjos.
• Os gnósticos acreditavam que os anjos e os corpos celestes influenciavam a vida das pessoas. Hoje muitas pessoas são dependentes de horóscopo, mapas astrológicos.
• O ensino básico dos gnósticos não era negar Cristo, mas negar sua suficiência e supremacia. Eles olhavam para Cristo apenas como uma peça da engrenagem. Era Cristo mais o conhecimento. Paulo mostra: 1) Em Cristo reside toda a plenitude – v. 9; 2) Em Cristo nós estamos aperfeiçoados – v. 10.
• O apóstolo Paulo aborda quatro verdades sobre a obra completa de Cristo por nós e que não precisamos nada mais além de Cristo:

1.1. Nós fomos circuncidados em Cristo – v. 11
• A circuncisão de Cristo é diferente da judaica. A circuncisão judaica era uma cirurgia externa; a de Cristo é no coração; a circuncisão judaica era apenas de uma parte do corpo; a de Cristo de todo o corpo; a circuncisão judaica era feita pelas mãos; a de Cristo feita não por mãos; a circuncisão judaica não podia ajudar as pessoas espiritualmente; a de Cristo capacita-nos a vencer o pecado.
• O que a lei não pode fazer, Jesus Cristo fez por nós. A nossa velha natureza não foi erradicada (1 Jo 1:5-2:6), mas agora, em Cristo, recebemos poder do pecado tem sido quebrado na medida que andamos com Cristo pelo poder do Espírito.

1.2. Nós estamos vivos em Cristo – v. 12-13

• Paulo usa aqui a figura do batismo como nossa identificação com Cristo. Tudo que aconteceu com Cristo, aconteceu conosco: Quando Cristo morreu, nós morremos com ele. Quando Cristo foi sepultado, nós fomos sepultados com ele. Quando Cristo ressuscitou, nós ressuscitamos com ele e deixamos as roupas da velha vida na sepultura (Cl 3:1-14).
• A aplicação é prática: Desde que estamos identificados com Cristo e Crsito tem a plenitude de Deus, nada mais nos falta!

1.3. Nós estamos livres da Lei em Cristo – v. 14

• Jesus não somente levou os nossos pecados sobre a cruz (1 Pe 2:24), mas ele também levou a lei sobre a cruz e a encravou na cruz. A lei que era contra nós, porque era impossível que nós cumpríssemos as demandas da lei.

1.4. Nós somos vitoriosos em Cristo – v. 15
• Jesus não somente lidou com o pecado e com lei na cruz, mas também com Satanás. Jesus despojou os principados e potestades na cruz. Jesus expôs os demônios ao desprezo num espetáculo público. Jesus triunfou sobre os demônios na cruz.

2. O PERIGO DO LEGALISMO – v. 16-17

• Paulo usa aqui o grande alerta. Em virtude de tudo aquilo que Cristo é e fez por nós, não devemos permitir que ninguém nos julgue pelas regras do legalismo. E Paulo nos dá três razões:

2.1. A base da nossa liberdade – v. 16a
• A preposição “pois” nos ensina que a base da nossa liberdade é a pessoa e a obra de Jesus Cristo.

2.2. A escravidão do legalismo – v. 16
• Pedro chamou o legalismo um jugo, uma canga no pescoço (At 15:10). “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar nem nós?”
• Paulo usou a mesma figura da escravidão: “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl 5:1).
• Jesus deixou claro que comida em si mesmo é algo neutro. Não é o que entra pela boca, mas o que sai do coração (Mt 15:1-20). Paulo diz que “não é a comida que nos recomendará a Deus” (1 Co 8:8).
• O legalismo não só envolve dieta de comida, mas também dias sagrados. A igreja cristã não é prisioneira de calendários nem de dietas. O próprio sábado é uma sombra. A realidade é Cristo.

2.3. A bênção da graça – v. 17
• A lei é sombra. Mas em Cristo nós temos a realidade, a substância. Por que retornar à sombra, quando nós temos a realidade em Cristo?
• O legalismo é popular porque você mede a sua espiritualidade e se orgulha disso. Mas o legalismo é um caldo mortífero.

3. O PERIGO DO MISTICISMO – v. 18-29

• O perigo aqui é o Misticismo, a crença que uma pessoa pode ter uma imediata experiência com o mundo espiritual, completamente à parte da Palavra de Deus e do Espírito Santo.
• Os falsos mestres em Colossos tinham visões e faziam contato com anjos. Assim, eles abriam-se a si mesmos para toda sorte de atividades demoníacas, porque Satanás é um especialista em se transfigurar até em anjo de luz para enganar as pessoas (2 Co 11:13-15).
• Os crentes não podem se envolver com cerimônias de misticismo, de rituais iniciáticos para se achegarem a Deus ou se desenvolverem moral ou espiritualmente. Temos tudo em Cristo. Tentar chegar a Deus através de qualquer experiência ou pessoa que não por meio de Cristo é falsa humildade. É orgulho, pois é abandonar as Escrituras para seguir outro caminho que não o de Deus.

4. O PERIGO DO ASCETISMO – V. 20-23

• Paulo condenou as falsas filosofias, o legalismo, o misticismo e agora condena o ascetismo, a crença de que podemos crescer espiritualmente abstendo-nos de coisas, flagelando o nosso corpo e mortificando-nos fisicamente.
• No v. 21 Paulo sintetiza O ASCETISMO em três verbos: NÃO MANUSEIES, NÃO PROVES, NÃO TOQUES.
• Embora devemos ter cuidado com o nosso corpo como Templo do Espírito Santo, precisamos entender alguns perigos do ascetismo carnal:

4.1. A posição espiritual do cristão – v. 20

• Os rudimentos do mundo aqui são as regras sobre comidas. Como cristãos nós já morremos para tudo isso por causa da nossa união com Cristo em sua morte, sepultamento e ressurreição. Embora nós estamos no mundo fisicamente, nós não estamos no mundo espiritualmente.

4.2. A futilidade das regras ascéticas – v. 21-22
• Essas regras em primeiro lugar não procedem de Deus, mas de homens.
• Deus nos dá todas as coisas para vivermos prazeirosamente (1 Tm 6:17). Todos os alimentos foram criados para serem recebidos com ações de graça (1 Tm 4:3). Mas as doutrinas de homens tentam substituir a Palavra de Deus (Mc 7:6-9). Jesus disse que a comida vai para o estômago e não para o coração (Mc 7:18). Paulo diz que não existe nenhuma coisa em si mesma impura (Rm 14:14). Comer ou não comer não nos faz mais ou menos espirituais.
• A comida será também destruída.

4.3. O engano do ascetismo – v. 23
• O ascetismo tem aparência de sabedoria e humildade, mas ele não tem nenhuma valor diante de Deus. Ele é um sacrifício inútil. Ele não tem valor espiritual nenhum. Ele é um engano.

CONCLUSÃO

• Neste capítulo Paulo defendeu a preeminência de Cristo e condenou os perigos do gnosticismo, do legalismo, do misticismo e do ascetismo.
• Paulo faz quatro críticas a esses ensinos heréticos:
1) Tudo isso que eles supervalorizavam era apenas sombra da verdade; a verdade real está em Cristo – v. 17.
2) Há algo assim como uma falsa humildade – v. 18,23
3) Isso pode conduzir a um orgulho pecaminoso – v. 18,23
4) Isso constitui num retrocesso para uma escravidão anticristã – v. 20

Rev. Hernandes Dias Lopes

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