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O valor da Temperança

A 10ª Lição da CPAD deste 2º trimestre de 2010, pode ser dividida em dois grandes temas: A importância de...


A 10ª Lição da CPAD deste 2º trimestre de 2010, pode ser dividida em dois grandes temas: A importância de se preservar as boas tradições e a necessidade da temperança na vida do cristão. Essas verdades são extraídas do episódio em Jeremias que envolve os recabitas.

PLANO DE AULA
1. OBJETIVOS DA LIÇÃO (Extraídos da Lição Bíblica-CPAD)

-Explicar a origem dos recabitas.
-Compreender que os recabitas honravam a tradição de seus antepassados.
-Conscientizar-se de que a Igreja de Cristo deve ter um forte compromisso com a temperança e com a excelência moral tanto de seus membros quanto dos que a cercam.

2. CONTEÚDO

Texto Bíblico: Jr 35.1-5, 8, 18, 19

A IMPORTÂNCIA DE SE PRESERVAR AS BOAS TRADIÇÕES

Gostaria de iniciar este subsídio, sugerindo a leitura de um texto que publiquei neste blog conforme o link abaixo:

O ARGUMENTO FALACIOSO (OU EQUIVOCADO) ACERCA DOS MARCOS ANTIGOS

Sou plenamente a favor da guarda das boas tradições, principalmente daquelas que cooperam para a manutenção de nossa integridade moral. Afirmo isso, pois existem tradições que apesar de terem sofrido mudanças, o ocorrido não implicou em questões morais, como, por exemplo, o caso da introdução de certos instrumentos musicais no culto (bateria, guitarra, etc.), o uso de vários cálices na Santa Ceia, em vez de apenas um (como era no princípio das Assembleias de Deus) e outras mudanças, de todos já conhecidas.

A Bíblia é clara quanto a necessidade de mantermos as boas tradições recebidas:

“Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” (2 Ts 2.15)

Observe que o texto deixa claro que nem toda tradição se fundamenta naquilo que foi escrito. Há tradições que passam de geração para geração apenas oralmente. Por isso, a afirmação que alguns fazem de apenas obedecerem aos seus líderes naquilo que está escrito na Bíblia não se sustenta. Se a tradição coopera para o bem maior da coletividade, e colabora para a manutenção de nossa integridade física, moral e espiritual, ela deve ser acatada. Obviamente, toda boa tradição encontrará na Bíblia princípios que a fundamente, observando-se e respeitando-se as regras de interpretação do texto sagrado. Digo isto, pois tirando um texto do seu contexto, pode-se afirmar que a Bíblia aprova os mais diversos absurdos ensinados, praticados e exigidos por alguns.

A Bíblia também nos alerta para o perigo da tradição (Mc 7.1-13):

“[...] invalidando a palavra de Deus pela vossa própria tradição, que vós mesmos transmitistes; e fazeis muitas outras coisas semelhantes.” (Mc 7.13)

Uma leitura em Marcos 7.1-13 nos deixa claro, que toda tradição, por boa que pareça ser, na medida em que negligencia e invalida as Santas Escrituras, deve ser rejeitada:

“Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens.” (v. 8)

Observando-se tais recomendações, as tensões que envolvem a manutenção ou quebra de uma tradição tenderão a ser minimizadas.

A NECESSIDADE DE TEMPERANÇA NA VIDA DO CRISTÃO

A temperança é uma das qualidades do fruto do Espírito:

“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (temperança). Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.22-23)

Wiliam Barclay, em sua obra As Obras da Carne e o Fruto do Espírito (Vida Nova, 2. ed. 2000), nos oferece um rico estudo sobre a temperança (gr. egkrateia). Deste estudo, observaremos alguns pontos.

A palavra grega egkrateia aparece apenas em dois lugares no NT (At 24.25 e 2 Pe 1.6). O verbo egkateumai, que significa “exercer domínio próprio ou ter auto-domínio”, aparece em 1 Co 7.9 e em 1 Co 9.25. O adjetivo correspondente egkrates ocorre apenas uma vez (Tt 1.8), significando “com domínio de si”.

Em se tratando do grego clássico (num período anterior ao NT), Platão, em sua obra República, fala de egkrateia como o domínio dos prazeres e dos desejos. Xenofonte, outro filósofo grego, registra acerca de Sócrates que este era, entre todos os homens, o que mais dominava os desejos do amor e do apetite (Memorabilia 1.2.1).

Aristóteles afirmou que:

“À egkrateia pertence a capacidade de refrear o desejo pela razão, quando este fixa-se nos gostos e prazeres vis, e de ser resoluto e sempre pronto a suportar a necessidade e dos naturais” (Das Virtudes e dos Vícios, 5.1).

“Toda a iniquidade torna o homem mais injusto, e a falta de domínio próprio parece ser iniquidade; o homem descontrolado é o tipo de homem que age de conformidade com o desejo e de modo contrário ao raciocínio; e demonstra sua falta de controle quando sua conduta é guiada pelo desejo; de modo que o homem descontrolado agirá injustamente e segundo o seu desejo” (Ética a Eudemo, 2.7.6)

Os pais da igreja (num período posterior ao NT), escrevendo sobre “temperança”, disseram:

“Quão bem-aventurados e maravilhosos são os dons de Deus [...]. A vida na imortalidade, o esplendor da justiça, a verdade na ousadia, a fé na confiança, a continência (egkrateia) na santidade”. (1 Clemente 35.1, 2)

“A temperança (egkrateia), é como toda dádiva de Deus. É dupla, porque há algumas coisas das quais refrear-se é um dever, e há outras das quais o não refrear-se é um dever”. (O Pastor de Hermas, Mandados 8.1)

“O temor e a paciência são ajudadores da nossa fé, a longanimidade e a continência (egkrateia) são suas aliadas”. (A Carta de Barnabé 2.2)

Em termos bíblicos e práticos, entendemos que o ideal divino do domínio próprio sobre o desejo descontrolado e insaciável não poderá ser alcançado sem o auxílio e a direção do Espírito (Rm 8.12-14; Gl 5.22-23). Sobre isto, escreve Vine (2003, p. 1012):

“[...] as várias capacidades concedidas por Deus ao homem são passíveis de abuso; o uso correto delas exige o poder controlador da vontade sob a operação do Espírito de Deus; Em At 24.25, a palavra vem depois de “justiça”, o que representa as reivindicações de Deus, sendo o autocontrole a resposta do homem a ela; em 2 Pe 1.6, a palavra vem depois de ‘ciência’ (ou conhecimento), sugerindo que o que se aprende deve ser posto em prática.”

Dessa forma, quando a busca exagerada e descontrolada por dinheiro, sexo, poder, cargo, fama, comida, bebida e coisas semelhantes a estas estiverem controlando as nossas vidas, é sinal que estamos precisando urgentemente trilhar o caminho dos recabitas, e o caminhos daqueles que na história cristã antiga e nos dias atuais nos deixaram os seus bons e virtuosos exemplos.

3. MÉTODOS E ESTRATÉGIAS DE ENSINO
Discuta com os alunos sobre a necessidade de se manter as boas tradições e sobre as mudanças que ocorreram na igreja ao longo dos anos. Em termos de temperança, converse com eles sobre a dificuldade se controlar alguns “apetites” carnais, e sobre a necessidade de se entregar ao Espírito de Deus para vencer a falta de auto-controle.

4. RECURSOS DIDÁTICOS

TV, vídeo, computador, quadro, mapa, cartolina, pincel ou giz, etc.

5. SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS

- As obras da carne e o fruto do Espírito, VIDA NOVA.

- Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD.

- Bíblia de Estudo Almeida, SBB.

- Dicionário VINE, CPAD.

- Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD.

- Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, VIDA NOVA.

- Conheça Melhor o Antigo Testamento, VIDA.

- Jeremias e Lamentações: introdução e comentário, MUNDO CRISTÃO.

por Altair Germano

Autor

* As opiniões expressas nos textos publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores
e não refletem, necessariamente, a opinião do Gospel Prime.


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