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Lição 09 – A Importancia da Santa Ceia

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Subsídio para as Lições Bíblicas (CPAD)- I Coríntios- Os problemas da Igreja e suas soluções

Ordenança ou sacramento, Santa ceia ou ceia do Senhor?

A primeira observação sobre esse assunto parte dos diversos termos criados para descrever a Ceia do Senhor. Comumente no meio pentecostal, esse rito é chamado de Santa Ceia, dando um caráter mais sacramentalista para o cerimonial. Mesmo que os pentecostais insistam na tese verdadeira de que a Ceia é somente uma ordenança simbólica, os mesmos não perdem o hábito de sacralização do conceito. Portanto, não deixa de ser uma contradição defender o conceito de ordenança em detrimento de sacramento, enquanto se usa a expressão Santa Ceia em lugar de Ceia do Senhor.

A terminologia foi mudando no decorrer dos séculos. O termo usado por Paulo é kyriakon deipnon, isto é, Ceia do Senhor (I Co 11.20). Posteriormente no Didaqué (9.1.5) a expressão “eucaristia” foi incorporada. Em Diogneto 12.9, a Ceia ficou conhecida como a pascha (páscoa cristã). Séculos depois originou-se o conceito de missa, ou seja, um “sacrifício contínuo de Cristo”.

Os sacramentalistas radicais, que estão presente na teologia católica, por exemplo, defendem que a Ceia do Senhor transmite uma “graça interior e espiritual”. O que seria isso? Para muitos, a Ceia transmite a graça salvadora ou libertadora. No meio pentecostal, esse equivoco também é presente, quanto muitos atribuem a Santa Ceia (sic) a transmissão de uma unção especial ou até mesmo poder de cura. Portanto, entre os pentecostais há muitos sacramentalistas radicais.

Não importa se os protestantes usam o termo “ordenança” ou “sacramento”, o mais importante é que cada um entenda que a Ceia do Senhor não transmite graça salvadora. A graça é graça, que vem pela fé em Cristo Jesus, e não em um ritual cúltico, por mais importante que ele seja.

Nós assembleianos herdamos muito da eclesiologia batista, por isso não adotamos nem batismo infantil, nem o termo sacramento. Isso mais por tradição, do que convicção irrestritamente bíblica (processo natural em questões que envolvem o denominacionalismo). Mesmo assim, cabe aqui reproduzir um texto da Confissão de Fé Batista de 1689, que descreve bem um resumo sobre a Ceia nos moldes assembleianos e naturalmente batistas:

Trecho do capítulo 28 da Confissão de Fé Batista de Londres de 1689

A ceia do Senhor Jesus foi instituída por Ele, na mesma noite em que foi traído, para ser observada nas igrejas até o fim do mundo; a fim de lembrar perpetuamente e ser um testemunho do sacrifício de sua morte; para confirmar os crentes na fé e em todos os benefícios dela decorrentes; para promover a nutrição espiritual e o crescimento deles, em Cristo; para encorajar o maior engajamento deles em todos os seus deveres para com Cristo; e para ser um elo e um penhor da comunhão com Ele e de uns com os outros. (…)

Nesta ordenança Cristo não é oferecido ao Pai, nem qualquer sacrifício real é feito, para remissão do pecado dos vivos ou dos mortos. A ceia é apenas um memorial do sacrifício único que Cristo fez de si mesmo, sobre a cruz e de uma vez por todas; é também uma oferta espiritual, de todo o louvor que é possível oferecer a Deus em reconhecimento ao sacrifício feito por Cristo. O sacrifício católico-romano da missa (como é chamado) é totalmente abominável e uma injúria ao sacrifício pessoal de Cristo, que é a propiciação única por todos os pecados dos eleitos (…)

No cumprimento desta ordenança, o Senhor Jesus determinou que seus ministros orem e abençoem os elementos, pão e vinho, separando-os do seu uso comum para uso sagrado. Os ministros devem tomar e partir o pão; tomar o cálice e, participando eles mesmos desses elementos, dá-los também, ambos, aos demais comungantes (…)

Negar o cálice ao povo; adorar os elementos; levantar ou carregá-los perante o público, para adoração; e guardar os elementos para qualquer outra finalidade supostamente religiosa: tudo isso contradiz a natureza desta ordenança, bem como a intenção de Cristo ao instituí-la (…)

Os elementos exteriores desta ordenança, devidamente consagrados para os usos que Cristo ordenou, possuem uma correlação com Cristo crucificado. De fato, embora os termos sejam apenas usados figuradamente, às vezes eles são chamados pelo nome das coisas que representam, isto é, o corpo e o sangue de Jesus Cristo, 7 se bem que, em substância e em natureza, continuem sendo apenas pão e vinho, como eram antes (…)

A doutrina que ensina uma mudança de substância no pão e no vinho (que supostamente se transformam na substância do corpo e do sangue de Cristo pela consagração por um sacerdote, ou por qualquer outro modo), comumente chamada de doutrina da transubstanciação, não somente é repugnante à Escritura,mas também ao senso comum e à razão. Ela subverte a natureza desta ordenança, tendo sido, e é, a causa de muitas superstições e de grosseiras idolatrias (…)

De fato e em verdade, os que recebem exteriormente os elementos desta ordenança, desde que comungando dignamente, – pela fé, não de maneira carnal ou corporal, mas espiritual – recebem a Cristo crucificado e dEle se alimentam, bem como todos os benefício de sua morte. (…)

As pessoas ignorantes e ímpias, visto não estarem propriamente adequadas para desfrutar da comunhão com Cristo, são, portanto, indignas da mesa do Senhor, e não podem tomar parte nestes santos mistérios, nem a ele serem admitidas 12 sem que cometam um grande pecado contra Cristo. Qualquer que comer do pão ou beber do cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor, comendo e bebendo juízo para si (…).

por: Gutierres Siqueira

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