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Josué, um Líder Escolhido por Deus

Por Leiliane Roberta Lopes


 

Leitura Bíblica em Classe
Nm 27.18-23; Js 1.1,2

Introdução:

I. Aspectos Biográficos de Josué

II. Josué, um líder escolhido por Deus

III. Josué, um líder conforme a providência de Deus

IV. Qualidades do caráter de Josué

Conclusão:

 

 

Autor deste comentário: Esdras Costa Bentho. Autor das obras Hermenêutica Fácil e Descomplicada e a Família no Antigo Testamento: história e sociologia, ambos da CPAD.

Título deste subsídio: Introdução ao Livro de Josué

 

 

 

Introdução

 

Neste trimestre estudaremos o livro de Josué. Porém, antes de analisarmos a presente lição – Josué, um líder escolhido por Deus – faremos uma síntese da estrutura dos Livros Históricos.

Como é do conhecimento dos professores e professoras da Escola Dominical, o Antigo Testamento divide-se em Históricos, Poéticos e Proféticos. Os Históricos são subdivididos em: 

(1) Pentateuco (Gn, Êx, Lv, Nm, Dt) – que são obras históricas escritas antes do estabelecimento do povo em Canaã –; e

(2) Históricos Próprios, os doze (Js, Jz, Rt, 1 e 2 Sm, 1 e 2 Rs, 1 e 2 Cr, Ed, Ne, Et). Estes doze magníficos livros dividem-se em:

            (a) Nove que tratam da ocupação de Canaã pelos israelitas (Js, Jz, Rt, 1 e 2 Sm, 1 e 2 Rs, 1 e 2 Cr); e

            (b) Três que descrevem o período de expulsão e repatriação do povo eleito (Ed, Ne, Et). 

Talvez o professor deva apresentar aos alunos a relação entre esses doze históricos com os livros proféticos e pós-exílicos. Os nove primeiros livros ajustam-se adequadamente ao ministério dos profetas pré-exílicos, enquanto os três últimos aos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias – todos pós-exílicos. Ezequiel e Daniel, como o professor já sabe, são livros do período do cativeiro babilônico.

A relação entre o Pentateuco e os Livros Históricos é clara, os cinco primeiros são pré-Canaã e preparam o povo para a ocupação da Palestina. A relação entre o livro de Josué, o primeiro dos Livros Históricos, com o Pentateuco é tão estreita, que, o teólogo germânico J. Wellhausen, preferia o título Hexateuco em vez de Pentateuco. Mas as opiniões de Wellhausen, nesse sentido, nunca foram unanimente aceitas.

Não somos escusados de frisar, que os Livros Históricos também podem ser classificados em:

(1) Período Teocrático: São os livros anteriores ao reinado e composto pelos livros de Josué, Juízes e Rute. Neste período, de 1405 a1075 a.C., Israel está sob a liderança direta do Eterno.

(2) Período Teocrático-Monárquico: Composto pelos livros que tratam da ascensão, divisão e queda de Israel e Judá: 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas. Neste período, de cerca de 1070 a 586 a.C., Israel está sob a liderança direta de seus representantes régios, uns obedientes a Deus e a Torah, outros desobedientes a ambos. Entretanto, Deus está governando, abatendo e suscitando reis conforme à sua vontade.

(3) Período Pós-Cativeiro: Os livros de Esdras, Neemias e Ester são obras que descrevem este período de disciplina e repatriação dos israelitas, de 537 a cerca de 432 a. C. São chamados também de pós-cativeiro babilônico.

Portanto, o Livro de Josué é a primeira descrição do período teocrático entre os dois seguintes, Jz e Rt.

Título

O nome Josué, no hebraico, Yehōshuāh (Nm 13.16), é composto pela abreviação do nome divino (Yahweh) e pelo vocábulo “salvação”. Literalmente significa “Salvação deYahweh“, ou “Yahweh é Salvador”. O nome “Josué”, no Antigo Testamento, corresponde a “Iēsous”, “Jesus”, em o Novo Testamento (At 7.45). Daí a razão pela qual Clyde Francisco, afirma que “assim como o primeiro Jesus conquistou a terra da mão do inimigo, o segundo Jesus conquistou vitoriosamente o céu, pela vitória sobre o pecado” [1]. 

Josué era chamado originalmente de Oséias (Nm 13.8; Dt 32.44), entretanto, seu nome fora mudado por Moisés em Cades (Nm 13.16). Oséias significa “salvação”, todavia, seguindo a prática hebréia e semítica de mudar o nome a fim de ratificar a mudança de posição ou destino, Moisés, influenciado peloEspírito de Deus, muda o nome do primogênito da tribo de Efraim para Yehōshuāh. Com a mudança do nome, altera-se também a função e a responsabilidade do indivíduo diante do Senhor e do povo israelita. 

Cânon Hebraico

No cânon hebraico, o livro de Josué é o primeiro rolo dos “Livros dos Profetas”. Os judeus denominavam os seis primeiros livros históricos (Js, Jz, 1 e 2 Sm e 1 e 2 Rs) de “Primeiros Profetas”, considerando-os, porém, como quatro. Estes “Primeiros” contrastavam com os “Últimos Profetas” (Is, Jr, Ez e os Doze Profetas Menores). Ellisen, sabiamente distingue: “Os ‘Primeiros Profetas’ são históricos; os ‘Últimos Profetas’ são exortativos” [2]. Lembremos que os profetas de Israel além de serem líderes espirituais do povo, também eram historiadores da teocracia, veja, por exemplo, as Crônicas de Samuel, o vidente (1 Cr 29.29), Crônicas de Natã, o profeta (1 Cr 29.29), Profecias de  Aias, o silonista (2 Cr 9.29), Visões de Ido, o vidente (2 Cr 9.29), e o famoso Livro da História de Natã, o profeta (2 Cr 9.29). O ambiente histórico é o cenário profético dos profetas de Israel.

AUTOR

O livro é anônimo. Contudo, a tradição mais remota do povo hebreu considerava que Josué era o autor de todo o livro, com exceção dos cinco últimos versículos, escritos, talvez, por Eliazar ou seu filho Finéias.

Consideremos os seguintes elementos:

a) Josué. Josué foi testemunha ocular dos fatos, além de ser escritor autorizado (ver 24.26). Archer afirma que o primeiro capítulo possui detalhes biográficos íntimos que “só Josué ter sabido” ou contado [3]

b) Evidências internas. Há muitas evidências que atestam que a história era registrada por uma pessoa que presenciou os eventos registrados na obra (cf. 5.1,6). Estes versículos, na primeira pessoa do plural, atestam, provavelmente, a ação literária de Josué.

c) Edição Posterior. Edições posteriores eram comuns. Observe que a morte de Moisés, por exemplo, é uma adição ou adendo editorial feito após a morte do grande líder (Dt 34). O registro da morte de Josué não é nenhuma prova de que o comandante das tribos de Israel não tenha escrito a obra que leva o seu nome (24.29,30). G. Archer, atesta a autoria dupla do livro, baseado no texto de 24.31 [4]. Portanto, é provável que Josué e, mais tarde um outro historiador tenha acrescido os relatos após a morte de Josué, talvez, como já afirmamos, Eliazar ou seu filho Finéias.

DATA E LOCAL

O arqueólogo John Garstang e Bryant Wood, após acuradas escavações e comparação entre documentos antigos, determinaram que a queda de Jericó ocorreu por volta de 1400 a. C. (o fim do período da Idade do Bronze Antigo I). Certos documentos que foram descobertos em Tel-el-Armana, no Egito, e em Ugarite, na Síria Ocidental, confirmam a data afirmada pelos dois arqueólogos, pois referem-se aos “Habirus” em Canaã, bem próximo de 1400 a. C. [5]. 

O local da escrita, provavelmente foi em Canaã, uma vez que o próprio Josué foi o autor da obra. A data, ainda que incógnita, deve estar relacionada a um período depois da queda de Jericó, entre 1400 a 1375 a.C.

ESFERA DE AÇÃO

Os fatos do livro de Josué descrevem períodos que se iniciam com a morte de Moisés e terminam com a morte de Josué. O registro inicia onde o de Deuteronômio termina.

ANÁLISE

O livro de Josué descreve a conquista e a divisão da terra de Canaã, tendo como background as características corruptas e brutais da religião cananita, claramente retratada nos tabletes de Rãs Shanra [6].  Prostituição de ambos os sexos, sacrifícios de crianças, sincretismo religioso eram alguns dos males comuns aos quais Deus ordenou aos israelitas a destruição completa dos habitantes de Canaã. 

A história contida revela a fidelidade do Senhor como um Deus que observa a aliança (Js 1.2,3), pois cumpriu o segundo aspecto da aliança do Senhor com Abraão: a entrega da terra de Canaã. Segundo Ellisen, “a primeira promessa de uma ‘semente’ levouu 25 anos para ser cumprida; a segunda, levou aproximadamente 700 anos. A promessa de um rei levaria mais 400″ [7]. E a vinda daquele em quem seriam benditas todas as nações, mais 1400. Cinco elementos se destacam no arcabouço da obra:

 

1) Preparação e Travessia do Jordão (1-4)

2) Redenção de Raabe (2.12-21; 6.22-25)

3) Pecado de Acã (7)

4) A divisão do Território (13-22)

5) Morte e Sepultura de Josué (24)

O propósito do livro, porém, não é friamente histórico, mas moralizador, vendo na história o “dedo” de Deus, o apoio e confirmação divina no heroísmo dos obedientes e o castigo providencial do pecado e da rebelião.

Muitos outros detalhes poderiam ser ainda observados, entretanto, por forças das circunstâncias não são possíveis descrevê-las. Convido-os a visitarem o nosso blog para obterem mais informações sobre o assuto (www.teologiaegraca.blogspot.com).

Notas

[1] FRANCISCO, C. T. Introdução ao Velho Testamento. Rio de Janeiro: JUERP, 1979, p.71.

[2] ELLISEN, S. A. Conheça melhor o Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 1993, p.63.

[3] ARCHER JR. G.L. Merece confiança o Antigo Testamento? 4.ed., São Paulo: Sociedade Religiosa Vida Nova, 1986, p. 295

[4] Id. Ibid.p. 296.

[5] Confira MERRILL, E. H. História de Israel no Antigo Testamento. RJ: CPAD, 2001; ARCHER JR. G.L. Merece confiança o Antigo Testamento? 4.ed., São Paulo: Sociedade Religiosa Vida Nova, 1986, p. 297. 

[6] Confira o contexto histórico-cultural do culto da fertilidade na terra de Canaã em nossa obra: A Família no Antigo Testamento: história e sociologia. 4.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

[7] ELLISEN, Id. Ibid., 1993, p. 71. 

fonte: www.teologiaegraca.blogspot.com 

* As opiniões expressas nos textos publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores
e não refletem, necessariamente, a opinião do Gospel Prime.


Autor(a)

Leiliane Roberta Lopes

Leiliane Roberta Lopes

Leiliane Lopes é jornalista. Fã de comédia romântica e livros chick-lit. Trabalha como produtora de conteúdo para o Gospel Prime e tem um site voltado para o público feminino.

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