Início » Estudos Bíblicos » As Viagens Missionárias de Paulo

As Viagens Missionárias de Paulo

Por Leonardo Pereira


A igreja cristã primitiva evangelizou o mundo greco-romano aproximadamente em trintas anos. O imperativo missionário de Atos 1.8 (ver Mt 28.19,20; Mc 16.15-18) era uma ordem que não admitia contestação e indolência. Portanto, os discípulos, movidos pelo Espírito Santo, preocuparam-se com o imediato cumprimento da evangelização do mundo. Embora as viagens evangelísticas tenham início com Filipe (At 8.5-40) e Pedro (At 9.32 – 11.1), somente com as incursões missionárias de Paulo entre os gentios é que elas se estabeleceram como um método para se chegar à Ásia Menor, Europa, Roma e aos confins da terra.

I. A PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA (AT 13 – 14)

1. De Antioquia a Chipre (At 13.1-12). A primeira viagem missionária de Paulo ocorre depois de seu comissionamento pelo Espírito Santo (vv.2,3). Juntamente com Barnabé, a partir de Selêucia, porto marítimo de Antioquia, Paulo parte em direção à Ásia Menor, sob a orientação do Espírito Santo (v. 4). Com isto Lucas quer demonstrar que o verdadeiro protagonista da missão evangelística é o Espírito Santo (v.9). Ao chegar a Chipre, cidade natal de Barnabé (At 4.36), desembarcam em Salamina, uma cidade marítima com uma grande população judaica, e anunciam a Palavra do Senhor aos judeus na sinagoga da região. Indo em direção à ilha de Pafos, pregavam o evangelho nos povoados adjacentes. Pafos, a capital administrativa de Chipre, era supersticiosa e tinha como padroeira a deusa do amor e da libertinagem, Vênus. Aqui, a força do evangelho enfrenta a resistência das forças malignas e desmascara o falso profeta Elimas, o encantador, resultando na conversão de Sérgio Paulo, governador da província. O propósito de Lucas é afirmar que o evangelho de Jesus não se confunde com o sincretismo grego, e a força do mal não impedirá a graça triunfante da cruz. De agora em diante, Saulo, chamar-se-á Paulo (vv.2,7,9,13).

2. De Chipre a Antioquia da Pisídia (At 13.13-52). De Pafos, subindo o rio Cestro, Paulo chega a Perge, região da Panfília e devotos de Diana (Ártemis), deusa da caça, cujo templo ficava em uma colina. Afastado da cidade central, no interior, havia povos primitivos e idólatras. Suspeita-se que João Marcos abandonara a comitiva por medo desses bárbaros (vv.5,13). Depois de viajar 160km, Paulo chega a Antioquia da Pisídia, cidade com grande comunidade judaica e posto militar romano avançado. Na sinagoga local, prega aos judeus da dispersão, convencendo a muitos, judeus e prosélitos. No sábado seguinte, uma grande multidão ajuntou-se para ouvir a Palavra de Deus, mas os judeus, blasfemando, incitaram algumas pessoas contra Paulo e o expulsaram da cidade. Mas os discípulos, cheios de alegria e do Espírito Santo, partiram para Icônio. Mais uma vez, Lucas registra que o Espírito Santo está dirigindo a comitiva santa.

3. De Icônio ao regresso a Antioquia (At 14.1-28). Icônio era uma cidade estratégica para a difusão do evangelho pelo fato de unir as cidades de Éfeso, Tarso, Antioquia e o Oriente. Paulo mais uma vez evangeliza os judeus da dispersão na sinagoga local e, como anteriormente, muitos creem enquanto uns se dividem a favor dos apóstolos e outros dos judeus. Temendo por suas vidas, Paulo e Barnabé fogem para Listra e Derbe, cidades da Licaônia. Listra ficava cerca de 30km de Icônio e, desde 6.a.C. era colônia militar romana. Nessa cidade, que adorava o deus grego Zeus, os missionários dirigiram-se aos pagãos nativos, que falavam licaônico, e curaram um portador de necessidades especiais de nascença. A população pagã imediatamente atribuiu o milagre à encarnação dos deuses Zeus e Hermes e, sem sucesso, tentaram oferecer sacrifícios aos missionários. Paulo justifica-se e anuncia o evangelho. Contudo, uma turba de judeus e gentios, procedentes de Antioquia e Icônio, apedrejam os apóstolos, dando-os como mortos. No dia seguinte, Paulo e Barnabé, dirigem-se a Derbe, e muitos se convertem. Em vez de retornarem a Antioquia pelas “Portas de Cílicia”, via Tarso, preferem passar pelas cidades anteriores confirmando a fé dos discípulos.

II. A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA (AT 15.36 – 18.28)

1. Em direção à Ásia (15.36–16.8). Após a ruptura com Barnabé, Paulo prossegue na companhia de Silas e, em Listra, une-se a ele o jovem Timóteo. Partindo de Antioquia, dirigem-se à Síria confirmando às igrejas na fé e informando-as a respeito da resolução do Concílio de Jerusalém (vv.4,5), uma vez que havia grandes comunidades judaicas nessas regiões. Passam pela região da Frígia e da Galácia, mas o Espírito Santo interrompe o itinerário por eles estabelecido e apresenta-lhes um novo projeto. São impedidos de evangelizar nas regiões da Ásia e seguem em direção a Mísia. De lá, intentam ir a Bitínia, mas o Espírito Santo impede-os mais uma vez. Seguem, portanto, para Trôade, na costa do mar Egeu e local mais próximo da Europa.

2. Em direção à Europa (16.12–18.18). Em Trôade, Paulo é orientado a seguir para a Macedônia. Em direção a Filipos, passa por Samotrácia e Neápolis até chegar ao destino proposto. Em Filipos, primeira cidade da Macedônia e marco da obra na Europa, Lídia, a primeira europeia convertida ao evangelho, constrange os apóstolos a hospedarem-se em sua casa. Nessa cidade, assim como acontecera em Salamina, libertam uma jovem que tinha espírito de adivinhação. Como consequência, os apóstolos foram encarcerados. Na prisão, Paulo e Silas adoravam a Deus quando, sobrenaturalmente, um terremoto abriu as portas do cárcere. Esse episódio foi responsável pela conversão do carcereiro e, depois, quando os apóstolos foram libertos, de toda sua família. De Lídia seguiram a Tessalônica, passando por Anfípolis e Apolônia. Desta última, caminhou a pé 64km até chegar em Tessalônica. Na sinagoga local evangelizaram os judeus, os gregos religiosos e algumas mulheres importantes, até que os judeus incrédulos incitaram a multidão contra eles. Forçados, saíram da cidade em direção a Bereia, evangelizando judeus, gregos e mulheres na sinagoga da cidade. Novo tumulto força Paulo a deslocar-se para Atenas, entretanto, Silas e Timóteo permaneceram na cidade. Em Atenas, capital da Ática e centro cultural, Paulo se comove observando a idolatria dos atenienses. O discurso de Paulo no Areópago é um dos mais belos e cultos sermões cristãos. Contudo, a vaidade cultural, a corrupção dos costumes, e a falta de compreensão a respeito da ressurreição impediram os atenienses de responderem positivamente à fé cristão; poucos converteram-se.

3. Regresso (18.18-22). De Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto, a mais importante metrópole da Grécia. Lá conheceu o casal Aquila e Priscila. E todos os sábados anunciava o evangelho aos judeus e gentios da cidade, resultando na conversão de Crispo, o principal da sinagoga. A estadia de Paulo na cidade foi de um ano e seis meses. Dali despediu-se dos irmãos indo em direção a Éfeso, na província da Lídia, passou por Cesareia e Jerusalém até chegar a Antioquia.

III. A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA E VIAGEM ROMA (AT 18.23 – 28.31)

1. De Antioquia a Macedônia (18.23 – 20.3).
De Antioquia, Paulo dirigiu-se a Éfeso, a fim de fortalecer a igreja local. Alguns discípulos nada sabiam a respeito do Espírito Santo. Paulo além de ensiná-los, orou para que eles recebessem o dom do Espírito. Imediatamente o Espírito desceu sobre eles, outorgando-lhes os dons sobrenaturais. Além do fortalecimento da igreja, muitos sinais e maravilhas, conversões e manifestações públicas de fé ocorreram em Éfeso. A superstição, a idolatria e a magia foram vencidas nessa cidade. Diz Lucas que “a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia” (At 19.20). Paulo segue para Trôade e, a seguir, dirige-se à Macedônia.

2. De Filipos a Jerusalém (20.6 – 21.17). Nessa seção do livro de Atos, Paulo está regressando de sua terceira viagem missionária. Visita a Macedônia, a Grécia e, logo a seguir, retorna a Ásia (20.1-6). Os fatos marcantes desse regresso são: o longo discurso de Paulo, a ressurreição de Êutico, e a pregação aos anciãos de Éfeso. Paulo desde já alertara a igreja que ele não seria mais visto pela igreja (v.38).  Depois de passar por algumas regiões, embora fosse avisado para que não fosse a Jerusalém, cumpre seu intento e é preso pela turba judaica. Paulo discursa em sua defesa e comparece diante do Sinédrio. Todavia, o Senhor o fortalece e anuncia que importa que ele vá a Roma anunciar o evangelho.

3. Viagem a Roma (23.31-33; 27 – 28.31). A viagem de Paulo a Roma é precedida de vários episódios e discursos importantes. Comparece perante Festo e ali apela para César; apresenta-se ao rei Agripa e o evangeliza. Agripa reconhece diante de Festo a inocência de Paulo, mas é forçado a enviá-lo a Roma. Em Roma fica preso em sua própria casa durante dois anos, “pregando o Reino de Deus e ensinando com toda liberdade as coisas pertencentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento algum” (28.31).

A história das viagens missionárias de Paulo é, na verdade, a história dos Atos do Espírito Santo na vida desse intrépido servo de Deus. O Espírito Santo ainda opera as mesmas maravilhas narradas em Atos, basta apenas alguém solícito clamar: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.

Autor: Esdras Bentho
Fonte: CPAD NEWS

* As opiniões expressas nos textos publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores
e não refletem, necessariamente, a opinião do Gospel Prime.


Leia mais...

O que determina o sucesso?

O que determina o sucesso?

Renovando o sentido de propósito na vida

Renovando o sentido de propósito na vida

Escolhei hoje

Escolhei hoje

A lei da semeadura

A lei da semeadura


Comentários